Descrição do Método
A Minipílula nada mais é do que uma pílula composta apenas por um tipo de hormônio, um fármaco derivado da progesterona. Assim, não teria os efeitos as vezes temidos do estrógeno, mas também não consegue inibir a ovulação. Seu mecanismo de ação, assim, se resume a criar dificuldades para o encontro entre o espermatozóide e o óvulo. Tais ações seriam em vários campos. Inicialmente há uma modificação no muco do colo, que fica mais espesso e menos permeável, criando assim um tampão à entrada dos espermatozóides no útero e nas trompas. Além disso, o conteúdo de dentro do útero, o endométrio, fica diferente, mais seco e com menos secreção, atrapalhando a sobrevida do espermatozóide no corpo feminino, assim como sua motilidade neste meio. Se estes espermatozóides sobreviverem a tais dificuldades, encontrarão outras pelo caminho: há uma grande alteração no movimento das trompas, que perdem sua peristalse, ou seja, aquele movimento parecido com a da lesma, em que o bloco se mexe para trás, para depois ir para a frente, movimento este que ajuda na caminhada dos espermatozóides até seu destino, o óvulo, na ponta da trompa. Não é só este movimento que se modifica. As trompas também possuem em seu interior alguns cílios, que batem de forma coordenada no sentido de carregarem os espermatozóides para o fim da trompa. Isso também é bloqueado pelo Progestágeno da Minipílula. Esclarecendo tais passos na forma de ação, entende-se porque uma das complicações da Minipílula, quando se engravida, é que se tenham mais gestações na trompa, o que chamamos de gravidez ectópica. Isso acontece porque, depois da fecundação, a movimentação dentro da trompa encontra-se vagarosa, permitindo que o embriãozinho se fixe na trompa, ao invés de fazê-lo no útero.
São vários os tipos de Minipílula, na dependência do Progestágeno utilizado. São três os tipos encontrados no mercado: a noretisterona (Micronor), o levonorgestrel (Nortrel ou Minipil), e o desogestrel (Cerazette). Este último é mais recente e tem uma potência um pouco maior, podendo levar à amenorréia (ausência da menstruação) muito mais freqüentemente.
Contra-indicações
Embora tenham efeitos metabólicos no geral menores do que as pílulas, alguns situações apresentam uma contra-indicação relativa. São elas: doença hepática ativa (hepatite, tumor hepático ou cirrose), Câncer de Mama atual ou pregresso, trombose venosa profunda ou embolia pulmonar atuais, assim como os primeiros 40 dias da amamentação (puerpério). Além destes, uma outra situação que pode ser considerada é o antecedente pessoal de gravidez ectópica prévia.
Uma última contra-indicação relativa é o uso concomitante de algumas drogas de metabolismo hepático, como os anti-convulsivantes, e antibióticos como a rifampicina e a griseofulvina.
Indicações
A grande indicação é seu uso durante a amamentação, excluídos os primeiros 40 dias, não só porque não se sabe ao certo o efeito do progestágeno nestes primeiros dias de vida do bebê, mas até porque não há benefício anticoncepcional, visto que a primeira ovulação, com possibilidade de gravidez, só ocorrerá após este período de 40 dias, além do que não é indicado que se tenham relações sexuais durante o puerpério (‘a dieta”).
Pode-se usar a Minipílula também em situações de contra-indicação ao uso da pílula, por seu componente estrogênico. No entanto, por causa de sua eficácia um pouco mais baixa, dá-se preferência a outros anticoncepcionais à base de progesterona, como o implante e o injetável trimestral. Um subgrupo que se beneficiaria com o uso da Minipílula seria o das mulheres acima de 35 ou 40 anos, em que a fertilidade seria menor; até porque tais mulheres teriam maior risco cardiovascular com a pílula. No entanto, mesmo nestas, ainda há opção de uma via de administração diferente: o injetável (trimestral) e o implante.
Vantagens
É um método relativamente barato e acessível, com eficácia interessante, principalmente durante a amamentação. Seu uso não depende do médico, nem do farmacêutico, para sua aplicação. Também não depende do parceiro, como a camisinha e os métodos de abstinência periódica. Não interfere com a amamentação, nem com a qualidade do leite, e não parece interferir com o desenvolvimento do recém-nascido. Uma vez interrompendo o uso, o retorno à fertilidade é quase imediato, pois não havia interferência com a ovulação.
Desvantagens
Como não inibe a ovulação, tem uma eficácia menor do que a pílula. Também eleva o risco para gravidez ectópica. Não evita as doenças sexualmente transmissíveis. Depende da lembrança da mulher para sua eficácia, sendo a falha muito vista quando há o esquecimento de um dia.
Eficácia
A falha varia entre 1 e 5 %. Parece que a Minipílula de Desogestrel teria uma eficácia um pouco maior.
Dicas para as usuárias:
– Tomar à noite, 3 horas antes de ir para a cama, para obter o efeito máximo junto da relação sexual
– Procurar não esquecer a pílula. Mas, se ocorrer, usar camisinha por alguns dias.
– Se a amamentação estiver diminuindo, procurar logo o médico, para a troca do anticoncepcional
– O momento de maior risco é quando se introduz novos alimentos para o bebê e ainda se está amamentando. Neste período, o melhor seria se resguardar com o uso concomitante da camisinha e já ir pensando em interromper a amamentação de uma vez só. O benefício da amamentação para o bebê, após os 6 meses, já não é tão grande; e o malefício de uma possível gravidez indesejada é bem maior. Ao interromper a amamentação, poderá se usar a pílula anticoncepcional ou outro método com estrogênio.
Fonte: http://www.drgalletta.com.br